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Sono x Obsesidade Infantil

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Passamos um terço de nossa vida dormindo. Ou deveríamos passar. O mundo urbano de hoje funciona 24 horas. As televisões têm programação ininterrupta, a internet não desliga nunca, o comércio está aberto até às 22 horas e muitos estabelecimentos, como bares e restaurantes, continuam noite adentro. As cidades são tão iluminadas, agitadas e barulhentas que poucos conseguem dormir no silêncio e no escuro. Os estímulos para ficarmos acordados são vários e com isso, não só os adultos, mas as crianças também perdem horas de sono. Tal hábito vem trazendo consequências como o cansaço diurno, sensação de fadiga crônica, indisposição, sonolência, menor rendimento escolar, irritação, obesidade infantil, dentre outros. Neste momento vamos focar na obesidade infantil e assim tentar entender como o sono pode influenciar neste problema.

Recentemente foi publicado um estudo em uma importante revista pediátrica, o “Journal of Pediatrics”, onde pesquisadores mostraram que crianças de 5 anos, em média, que têm o hábito de dormir depois das 21 horas têm um risco significativamente maior (50%) de  serem obesas na adolescência, comparadas com as que vão para  a cama antes das  20 horas. Este estudo não analisa o tempo de sono de cada criança, mas os pesquisadores consideraram que crianças que vão para a cama mais cedo têm mais qualidade e provavelmente mais tempo de sono.

Estes dados são explicados uma vez que a privação de sono pode ativar hormônios como a grelina, que faz aumentar o apetite, além de levar à intolerância à glicose e resistência à insulina. Resultado: na hora em que estamos despertos, temos mais vontade de comer e o metabolismo do organismo se desequilibra. Como consequência, o aporte de energia aumenta e o gasto de energia diminui, promovendo a chance do acúmulo de peso.

Outro hormônio que é ativado durante o sono é o GH (hormônio do crescimento). Quem nunca ouviu a frase: “as crianças crescem enquanto dormem”. Na infância cerca de 90% do GH é liberado durante o sono e crianças com dificuldade para dormir têm mais chance de ter problemas em seu desenvolvimento físico. Este hormônio não é responsável apenas pelo crescimento infantil, mas também pela manutenção do tônus muscular, evitar o acúmulo de gordura e no fortalecimento dos ossos.
Em conclusão, os pais devem realmente se esforçar para colocar as crianças mais cedo na cama e principalmente garantir que os pequenos durmam pelo menos 9 horas por noite.  Pode não ser fácil nos dias de hoje com a rotina pesada e corrida das famílias, mas aqui vão algumas que podem auxiliar:

1. Uma hora antes do horário das crianças dormirem, diminua o ritmo da casa. Nada de TV alta, jogos eletrônicos, brincadeiras de correr ou que os façam gastar muita energia;

2. Ofereça uma alimentação saudável e mais leve na hora do jantar ou no lanche, caso o jantar seja realizado na escola;

3. Um banho morninho antes de dormir ajuda a relaxar;

4. Leia uma história para seu filho na hora de dormir. Além de relaxar, será um momento de aconchego e afetividade entre pais e filhos.
Bons hábitos alimentares, a prática de atividade física e horas adequadas de sono, devem ser estimulados desde a infância. Assim, na fase adulta os bons hábitos terão continuidade e a qualidade de vida priorizada.

Elaborado por: Ellen B. Maurat Prata – Nutricionista CRN 05101344

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