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Os Desafios da Aprendizagem Sócio Emocional nos Primeiros Anos de Vida

Consideremos os desafios que uma criança encontra para se situar e conviver em uma turma de educação infantil. Pode parecer que ela se adapte naturalmente, entretanto não é bem assim… Tudo que a criança faz exige uma aprendizagem e um enorme esforço. Ela escolhe do que brincar, com o que brincar, com quem brincar, que papel ela vai fazer; precisa esperar sua vez de falar e aprender ouvir o que amigo diz com atenção. A criança precisa desenvolver a capacidade de se organizar e de manter foco na tarefa. Ela necessita controlar seus impulsos, entender o que está acontecendo para se comportar de acordo com as regras, procedimentos e roteiros inerentes as diversas rotinas, brincadeiras e atividades realizadas ao longo do dia. Além disso, é necessário também que a criança tenha um desenvolvimento adequado de linguagem para conseguir expressar suas emoções e desejos. Para se adaptar a este mundo a criança desenvolve competências sócio emocionais. As atividades e rotinas da educação infantil são pensadas para promover essas competências.

Em geral as crianças têm dificuldade em dividir os brinquedos com o amigo e podem chorar quando se frustram. É normal que as crianças pequenas batam e mordam pois expressam seu descontentamento através de seu comportamento.
Existem vários fatores que podem influenciar o comportamento das crianças. Fatores intrínsecos e extrínsecos, fatores genéticos e fatores sociais. Nem sempre é fácil distinguir a motivação do comportamento da criança, portanto é muito importante ter paciência e cuidado para não fazer julgamentos ou agir de forma precipitada. Para isso é preciso conversar, entender e explicar.

Estudos recentes conduzidos para avaliar métodos de disciplina e a teoria construtivista concordam que a disciplina só funciona se combinada a uma conversa e explicação sobre o que aconteceu e o que está acontecendo. Ainda que a criança seja muito pequena é importante conversar mas utilizando explicações mais simples. Também é importante que os adultos sejam consistentes em seu discurso. Se existem regras na sala ou em casa, elas valem para todos. Se algo foi prometido, precisa ser cumprido. Crianças precisam aprender a respeitar regras ou pedidos pelo simples fato de que essas regras e pedidos são importantes para a segurança e bom relacionamento de todos e não pelas recompensas oferecidas.

Como os adultos podem ajudar as crianças pequenas a desenvolver comportamentos alternativos?

– Reaja calmamente, mas expresse claramente sua desaprovação cada vez que esses comportamentos ocorrerem.

– Seja cordial, atencioso e valorize o comportamento adequado quando ocorrer. Por exemplo: “Você emprestou o brinquedo ao amigo Isso mesmo! Os amigos dividem seus brinquedos!”.

– Utilize estratégias apropriadas a idade da criança que estimulem o aprendizado. Por exemplo: pedindo desculpas, reparando quaisquer danos que tenham sido causados.

– Ensine às crianças como expressar raiva e frustração usando a linguagem oral.

– Encoraje as crianças a terem um comportamento tranquilo. Exemplo:, cooperando, negociando, cedendo, reconciliando.

– Com o apoio e a orientação dos pais e dos demais adultos que convivem com eles, e através da interação com outras crianças, será possível aprender a não usar agressões físicas e, ao contrário, valer-se de comportamentos socialmente mais aceitáveis.

Bibliografia:

Richard E. Tremblay, PhD, Université de Montréal, Canadá e University College Dublin, Irlanda 
Tradução: B&C Revisão de Textos | Revisão técnica: Fernando Cupertino e Alessandra Schneider, CONASS em Enciclopédia da Primeira Infância, introdução a agressão. http://www.enciclopedia-crianca.com/agressividade-agressao/introducao
Michel Boivin, PhD, Université Laval, Canadá
Tradução: B&C Revisão de Textos | Revisão técnica: Adriana Fridman,
Aliança pela Infância | Revisão final: Alessandra Schneider, CONASS,
Síntese de artigos em enciclopédia da primeira infância:
http://www.enciclopedia-crianca.com/sites/default/files/dossiers- complets/pt-pt/relacoes-entre- pares.pdf

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