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Oralidade e Mordida

Sabemos que o primeiro contato da criança com o mundo se dá pela boca; é com este órgão que ela se comunica – mesmo ainda sem ter a fala – mama, suga, aceita ou rejeita alimentos, sorri, chora, grita, balbucia. Ela explora o mundo e manifesta suas emoções basicamente com seu corpo e a boca aparece aí como meio privilegiado nos dois primeiros anos de vida. A esta fase universal do desenvolvimento biológico, emocional e cognitivo, chamamos de fase Oral. 

Dentre as manifestações da oralidade temos a mordida, que pode indicar desde dor pelo nascimento de dentes, curiosidade, ansiedade, angústia, irritação, e ainda, a mudança de posição da criança de passiva para ativa. Esse rol de motivações normalmente se faz presente entre crianças de 1 a 2 anos. Os familiares também devem evitar as mordidas de “mentirinha” ao brincarem com seus filhos, pois isso pode funcionar como estímulo.

O motivo mais frequente para a mordida no convívio entre crianças é a disputa por brinquedos, quando a criança morde o amiguinho querendo o mesmo objeto. Entretanto, por não estar necessariamente ligada a momentos de conflito, acontece de a criança pequena morder o amigo de repente, sem que nada indique que vá ocorrer. 

A mordida adquire especial contorno no ambiente escolar, sendo um evento que costuma mobilizar a todos: os educadores, a criança mordida e sua família e a criança que mordeu e sua família também. Reconhecer a mordida como uma ocorrência esperada do desenvolvimento infantil não nos torna complacentes a ela, pois a educação é um contínuo processo onde a criança deve aprender a lidar com seus impulsos e desejos com vistas a uma convivência tranquila e solidária no grupo. Para isso é preciso que perceba, desde a mais tenra idade, que a mordida não é bem vinda! A situação de mordida deve ser sempre evitada e quando ocorre, deve ser mediada, para que as crianças e o grupo aprendam com a situação.

Por volta do terceiro ano de vida, a entrada na linguagem verbal faz ceder aos poucos o hábito da mordida, como também do bater, empurrar etc., já que possibilita à criança usar as palavras e não somente seu corpo para manifestar suas vontades e sentimentos. 

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