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Importância da Nutrição na Alimentação Infantil

A alimentação infantil merece atenção especial por se tratar de um período de crescimento e desenvolvimento contínuos. O estímulo a uma alimentação saudável deve ser encorajado já nesta fase, pois é neste período que os hábitos alimentares começam a ser formados, tendo a família papel essencial neste processo. Além disso, muitos estudos científicos têm mostrado a grande relevância do fator alimentação na prevenção do desenvolvimento de doenças crônico – não transmissíveis, como as cardiopatias, diabetes, obesidade, como sendo cumulativo e já tendo início na infância. Atualmente, sabe-se que os nutrientes que serão ingeridos e os que deixarão de ser ingeridos durante a gestação também vão determinar a predisposição para doenças, a imunidade e o metabolismo do bebê.

Desta forma, incentivar seu filho a ter uma alimentação equilibrada, envolvendo os diversos grupos alimentares (vegetais, frutas, cereais, leguminosas e proteínas), e estimulando-o a experimentar sempre diferentes preparações são pontos chave neste processo de “criação de hábitos”. A escola também é essencial nesta fase, já que a criança passa uma grande parte do seu tempo neste ambiente.

A formação de hábitos alimentares inicia-se com a bagagem genética que interfere nas preferências alimentares e que vai sofrendo diversas influências do meio ambiente: tipo de aleitamento recebido nos primeiros seis meses de vida, a maneira como foram introduzidos os alimentos complementares no primeiro ano de vida; experiências positivas e negativas quanto à alimentação ao longo da infância; hábitos familiares; condição socioeconômica, entre outros.
Os primeiros anos de vida de uma criança, especialmente os dois primeiros, são caracterizados por crescimento acelerado e enormes aquisições no processo de desenvolvimento, incluindo habilidades para receber, mastigar e digerir outros alimentos, além do leite materno, e no autocontrole do processo de ingestão de alimentos, para atingir o padrão alimentar cultural do adulto. A partir do primeiro ano de vida a criança já está apta a receber a alimentação normal da família, desde que essa não apresente temperos e condimentos fortes de sabor acentuado. Adequar a alimentação da criança a dos pais não significa dar à elas todos os alimentos que os adultos estão ingerindo em casa.

A fase pré-escolar (crianças de 12 meses a 6 anos) caracteriza-se por menor ritmo de crescimento. A redução da velocidade de ganho de peso e estatura, observada nesta fase da vida, condiciona a uma redução do apetite. Os pré-escolares necessitam de menos energia por unidade de peso para cobrir seus requerimentos energéticos diários, comparada à quantidade necessária no primeiro ano de vida. Neste período, o apetite é irregular, apresentando flutuações diárias ou até mesmo de uma refeição para outra. Associa-se a esses aspectos a atenção desviada para outras atividades, como andar e mexer em objetos espalhados pela casa. A falta de interesse pela alimentação, nesta fase, portanto é natural, devendo-se evitar as famosas chantagens e artifícios para obrigar a criança a comer. Todos estes aspectos geram ansiedade nas pessoas responsáveis pelo cuidado da criança, que antes tinham domínio da situação, podendo gerar intervenções negativas e desnecessárias, como, por exemplo, forçar a criança a comer determinados alimentos ou quantidades exageradas.

Crianças tendem a rejeitar novos alimentos e esta rejeição inicial é uma resposta normal, que reflete um processo adaptativo e pode ser modificada pelas oportunidades repetidas de oferta do alimento. Os pais, por encararem essa situação como um processo imutável, acabam por não oferecer novos alimentos, eliminando as oportunidades de aprendizado. No entanto, os pais são responsáveis pela escolha do alimento a ser oferecido para a criança, pois esta não tem conhecimento suficiente para tal. Se uma criança recusa a alimentação oferecida, não se deve dar alternativas alimentares justificando os motivos para a criança. Se a criança estiver com fome ela consumirá o alimento. Caso contrário, se há recusa da refeição ou de alguns alimentos, não é motivo de preocupação. A fome é um excelente estímulo para novas tentativas alimentares.

por Raquel Claro – nutricionista

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