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A influência dos aditivos alimentares na alimentação infantil

​​O primeiro relato de uso de aditivos alimentares na dieta humana não é recente. Consta na literatura que o sal é a substância mais antiga adicionada aos alimentos (carne e peixe) com o intuito de preservá-los. A necessidade crescente de alimentos disponíveis nas sociedades desenvolvidas não seria possível sem o processamento de alimentos em nível industrial e, consequentemente, sem o uso de aditivos alimentares. No entanto, observa-se que há atualmente uma variedade elevada de aditivos em uso corrente, que satisfazem apenas alguns critérios, tais como modismos, preferências alimentares e marketing. Diversos estudos apontam reações adversas aos aditivos, quer sejam agudas ou crônicas, tais como reações tóxicas ao metabolismo, desencadeantes de alergias, de alterações no comportamento, e câncer; esta última observada em longo prazo.

Dentro deste contexto, diversas razões contribuem para que crianças se constituam no grupo mais vulnerável no que concerne às reações adversas aos aditivos. A primeira dela deve-se ao fato de a quantidade ingerida ser, em relação ao peso corporal, maior na criança que no adulto. Em segundo lugar, as substâncias que têm ação sobre o sistema nervoso central são, provavelmente, mais perigosas ao cérebro da criança que ainda está em desenvolvimento e, por último, porque as crianças não apresentam capacidade de autocontrole no consumo de alimentos ricos em aditivos.

Ainda considerando aspectos da saúde infantil, o JECFA (comitê científico internacional de especialistas em aditivos alimentares), recomenda que não sejam utilizados aditivos intencionais em alimentos destinados a crianças menores de um ano, respeitando, assim, o Codex Alimentarius**. Apesar dessa orientação, existem vários produtos no mercado, como iogurtes, gelatinas, refrigerantes, biscoitos, balas, dentre outros, que são consumidos tanto por crianças como por adultos, e que não estão sujeitos à referida normatização, o que torna a criança mais vulnerável. Entre os corantes considerados responsáveis por alterações no comportamento humano destacam-se: tartrazina, amaranto, vermelho ponceau, eritrosina, caramelo amoniacal. No que se refere aos conservadores, os derivados do ácido benzóico e os ácidos sulfídrico e sulfito podem induzir à hiperatividade. Os antioxidantes sintéticos também são considerados fatores de risco para o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade. Os corantes artificiais podem desencadear hipersensibilidade. O corante amarelo tartrazina é encontrado em inúmeros alimentos.

Devido ao fato da população infantil ser mais vulnerável, tanto no sentido de ser seduzida pela mídia para consumir esses produtos quanto pela sua própria imaturidade fisiológica, é recomendável que os produtos industrializados que contenham aditivos, nomeadamente, corantes e conservantes artificiais, sejam introduzidos na dieta infantil o mais tarde possível.

** “Codex Alimentarius” é o código alimentar. Este engloba uma série de regras, gerais e específicas, relativas à segurança alimentar, formuladas com o intuito de proteger a saúde dos consumidores e assegurar práticas justas no comércio alimentar.

por Raquel Claro – nutricionista

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