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A importância da educação infantil na vida adulta

Por que devemos centrar a atenção nos primeiros anos?

Uma das razões é o acúmulo de evidências que indicam que a experiência de uma criança nesse período traz profundas consequências para o restante de sua vida. Os motivos que justificam a crescente importância que vem sendo conferida à Educação Infantil são de diversas naturezas. Em primeiro lugar, decorrem das profundas mudanças ocorridas no papel da mulher na sociedade moderna, e as consequentes transformações nos arranjos familiares que envolvem a proteção, o cuidado e a educação dos filhos. Em segundo, são reflexo das condições de vida nas cidades, onde agora vive a maioria das populações das nações industrializadas, que provocaram grandes mudanças na forma como as crianças vivem sua infância. Em terceiro, estão fundamentados na evolução das pesquisas científicas sobre o desenvolvimento infantil, as quais apontam a enorme importância dos primeiros anos de vida para o desenvolvimento físico, cognitivo, afetivo e social dos seres humanos, assim como nos estudos que constatam que a frequência a boas instituições de educação Infantil melhora significativamente o aproveitamento das crianças na escola primária, especialmente no caso de alunos de baixa renda.

Quais os Efeitos da Educação Infantil ao longo da vida?

Nas pesquisas sobre os efeitos da Educação Infantil, há duas estratégias principais: a intervenção junto aos setores desfavorecidos e os estudos sobre as crianças em geral. Sobre eficácia da educação infantil como estratégia de intervenção para populações desfavorecidas. O impacto das intervenções é maior e o investimento é menor. A cada $1 investido a economia chega a $7. Para população em geral não há uma concordância. Há estudos que dizem que não tem impacto e outros que tem um impacto significativo se a educação for de qualidade. Já para as crianças acima de 3 anos, a evidência está muito clara e há benefícios quase universais para as crianças, associados às várias formas de Educação Infantil em ambientes coletivos (brinquedotecas, creches, pré-escolas, entre outros **) utilizados por crianças de 3 anos ou mais. Os benefícios também aumentam quanto maior a qualidade da Educação Infantil (ou seja, quanto melhor as instituições atendem às necessidades do desenvolvimento da criança). Os resultados discrepantes nos estudos para as crianças de 0 a 3 anos provavelmente refletem diferentes efeitos para diferentes populações, diferentes faixas etárias, diferentes tipos de crianças, assim como varia a qualidade da educação em variados cenários e variadas populações.
A qualidade da educação infantil tende a ser definida por variáveis estruturais e de processos. Variáveis estruturais incluem, de modo geral, as características da sala de aula e os programas que podem ser regulamentados, como o currículo, a formação do professor, a proporção professor-criança e o tamanho do grupo.  Variáveis de processo tendem a se focar nos aspectos dinâmicos das salas de aula, incluindo as interações professor-criança, implementação de currículo, interações entre pares e nas relações. Embora ambas as características estruturais e de processos nas salas de aula sejam importantes para os resultados sociais e de desenvolvimento das crianças, pesquisas mostraram que a qualidade estrutural é mediada ou passa pela qualidade de processo. Apesar de ser importante trabalhar com um currículo de alta qualidade e ter materiais adequados para crianças, essas características da sala de aula só terão valor quando o professor as utiliza para envolver as crianças e fornecer oportunidades de aprendizado; daí o termo “eficácia do professor” ou “professor eficaz”.

Muitas crianças pequenas experimentam diferentes modalidades de atendimento, um estudo identificou em uma amostra norte-americana três principais padrões de cuidado: somente em casa, somente em creche e inicialmente em casa e depois em creche; e demonstrou que os escores cognitivos em crianças que receberam cuidado contínuo em casa foram significantemente mais baixos do que aqueles apresentados por crianças que receberam cuidados em casa e depois em creche. Na análise dos principais padrões da trajetória de desenvolvimento das 3 mil crianças do estudo, entre 3 e 11 anos, ficou claramente perceptível que poucas mudanças ocorrem após os cinco anos de idade, indicando que os primeiros anos são particularmente importantes. Um estudo feito por Goodman e Sianesi em 2005 mostrou que a educação infantil propicia melhor desempenho educacional aos 7 anos. Embora esses efeitos diminuam em intensidade, eles se mostraram significantes até os 16 anos.

O desenvolvimento de competências cognitivas e de linguagem na Primeira Infância se beneficia de interações sociais complexas. O desenvolvimento das habilidades sociais, cognitivas e de linguagem no início da infância promovem uma base imprescindível para o envolvimento de uma criança com o mundo na medida em que esse desenvolvimento acontece. O desenvolvimento de uma grande competência nessas habilidades facilitará a aquisição das capacidades que levarão ao sucesso acadêmico e profissional no futuro. Muitos especialistas ressaltaram a importância das intervenções na Primeira Infância para garantir que as crianças possam desenvolver plenamente o seu potencial, pois se trata do momento em que o desenvolvimento do cérebro ocorre rapidamente, em que existe maior probabilidade do desenvolvimento das crianças poder ser melhorado e em que o retorno dos investimentos são comprovadamente maiores.

Bibliografia:
•    Efeitos de longo prazo da educação infantil: Evidências e politica,Edward Melhuish,Tradução Moysés Kuhlmann Jr. Caderno de Pesquisas v.23,2013.
•    Experiências na Primeira Infância e o desenvolvimento de competências cognitivas e de linguagem:     evidências disponíveis e recomendações para os pais e educadores. Burnes, Jacqueline. Educação Infantil: evidências científicas e melhores práticas,2012.

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